3 PREOCUPAÇÕES DE UMA IGREJA PÓS-PANDÊMICA

 

Quem poderia imaginar que nós, cristãos ocidentais, brasileiros, em plena década de 2020, passaríamos pela experiência de adorar ao nosso Deus em nossas igrejas usando máscaras, embebendo nossas mãos de álcool, afogando nossos calçados em alvejantes, nos distanciando por alguns metros no templo e com uma capacidade de cerca 70% dos membros? Depois de pensarmos biblicamente acerca de como será a igreja pós-pandemia, reflitamos agora sobre como ocorrerá essa transição. Há muito o que se pensar sobre igreja nesse "novo normal", como dizem. Aliás, eu não gosto dessa expressão porque sugere uma nova regra sobreposta a que já existe, mas falo isso do ponto vista bíblico. No entanto, entendo que é uma maneira cotidiana de expor os medos de uma sociedade que nunca viveu uma pandemia, apenas leu na história ou ouviu dos avós. Digo isso porque me questiono: como continuar uma missão em que, por inúmeros motivos, já estava quase impossível de realizar, e agora temos novas barreiras a serem vencidas? Por exemplo: como fazer com que a Bíblia, a Trindade, a Igreja fundamenta em Cristo, toda a Sã Doutrina, sejam assuntos não apenas relevantes, mas também interessantes? E como fazer com que a Bíblia interesse de forma a não relativiza-la nem, tampouco, adaptá-la? Como contextualizar sem humanizar as Escrituras? E como manter-se igreja passando por tantas lutas e adaptações sem deixar de ser a Noiva de Cristo? Talvez, para alguns, a missão seja dobrada: como repensar o que era feito e/ou o que não era feito e voltar ao primeiro amor? Eu penso que Deus, dentre outros propósitos seus, está aplicando tal missão ao seu povo no mundo para um fim específico e objetivando o crescimento congregacional. Antes de qualquer coisa, deixo claro aqui que não me oponho aos decretos governamentais quanto a proteção e prevenção do novo Coronavírus. Enquanto não imporem a liturgia do culto a Deus, sou totalmente a favor dos protocolos de saúde. Dito isto, vamos refletir sobre 3 preocupações de uma igreja pós-pandêmica e analisar se, de fato, são legítimas, ou, pelo menos, coerentes.

O QUE O EVANGELHO NÃO É EM 4 RESPOSTAS

Imagem: Pawel Kuczynski.
Eu estou convencido já faz algum tempo de que o Evangelho se tornou uma moeda de compra e venda de muitas coisas. Eu diria que uma, apenas uma das causas tem sido o descomprometimento com a identidade denominacional, o que inclui termos teológicos e históricos. É nítido que de umas décadas para cá uma fração significativa de cristãos tem se desviado de suas ênfases bíblico-teológicas, historicidade eclesiástica, tradição e, por consequência, suas raízes denominacionais. Isso tem levado ao descabimento e até mesmo ao abandono exegético no ato de expor a Bíblia. Apologética? Muitos nem se lembram do que se trata, outros nem sequer sabem, e muitos que sabem a condenam. Praticamente toda a geração atual, aqueles que começaram a frequentar uma igreja evangélica nesta ou na década passada, não aprenderam nem ao menos o suficiente para que pudessem caminhar com as próprias pernas, porque quem os ensinou, na maioria, igualmente não aprenderam o suficiente. Eu não estou falando que o cristão precisa aprender sobre Deus e a sua Palavra até que se virem sozinhos a partir de um determinado ponto, isso seria contradizer a mim mesmo e a Bíblia. Estou defendendo a ideia de que a Igreja de Cristo é composta de pessoas que devem caminhar juntas rumo ao novo céu e a nova terra, mas que cada um possui a sua devida responsabilidade de ser capaz de seguir a Cristo seguros de Seus ensinamentos a ponto de não caírem em qualquer vento de doutrina que lhe pareça atraente, é por isso que Paulo afirma isso, mas salientando a necessidade de líderes que tenham, pelo menos, a vergonha de serem o que dizem que são (Ef 4.11-16), pois uma coisa é certa: nem sempre dispomos de líderes capazes, as vezes, eles nem são convertidos. Todavia, isso não é desculpa para que não sejamos responsáveis. Temos o nosso líder como aquele que caminha conosco liderando-nos, mas temos também a liberdade de acessar a Deus mediante Cristo, não através do líder. Ademais, quem escreveu aos Hebreus também falou algo a respeito nos encorajando a sermos capazes de compreender os "princípios elementares dos oráculos de Deus" atendendo ao tempo decorrido enquanto estamos na igreja, isto é, nosso tempo de crente nos diz alguma coisa, não que somos melhores do que o novo convertido, mas que temos uma caminhada maior que nos induz a uma responsabilidade igualmente maior. O autor também diz que quando alcançamos a possibilidade do alimento sólido devemos continuar progredindo (Hb 5.11-14). Assim, penso que, por causa daqueles que tiveram o privilégio de se alimentar com o alimento sólido pela sua maturidade atingida, mesmo assim descuidaram-se e regressaram ao leite, conduzindo as coisas do Reino com estupidez e pregando palavras dignas de serem direcionadas ao esgoto. Diante do exposto, veremos 4 misturas fétidas que alguns afirmam ser alimentos colhidos do Evangelho, mas não são, obviamente.

POR QUE AFIRMAM TANTO QUE DEUS É AMOR, MAS NÃO JUSTIÇA?

Imagem: cinismo ilustrado.
Pode haver um equívoco singular quando se diz que Deus é amor, sobretudo nos dias de hoje, onde parte da Igreja se encontra mergulhada num evangelicalismo pandêmico. Traduzem a mensagem bíblica sem abrir a Bíblia (isso é possível?) e colorem a história da Redenção com romantismo, romanismo (como diria Hodge), apelo e labilidade emocionais, onde, ora choram, ora gargalham, mas dificilmente arrependem-se de seus pecados e degustam do sabor refinado da Lei do Senhor, aprendendo e pondo em prática por onde quer que andem. As estantes das livrarias "evangélicas" que o digam. Muita autoajuda, psicologia (as vezes nem tanto ou nenhuma), pragmatismo desmedido, mensagens positivistas demais, bênçãos e promessas sobrepondo o fundamento da Lei, a obediência irrestrita a Deus, principalmente do seu povo e o sofrimento por causa do nome de Cristo. Penso que foi nos anos 1990 que começamos a ver coisas estranhas, até mesmo absurdas, dentro das igrejas evangélicas no Brasil. Todavia, isso vem sendo plantado com significativa eficiência há algumas décadas antes. A colheita ruim parece que chegou aos púlpitos e, diga-se, seria ótimo que pudéssemos passar logo por isso e esquecermos tão desgraçada safra desde então. Mas, odeio confessar, isto não vai passar. Na verdade, vai piorar, o que me entristece por um lado, mas me alegra por outro por lembrar-me que logo vem o nosso Senhor Jesus Cristo, triunfante, acabar com essa palhaçada que andam fazendo com a sua Palavra e o Seu Nome. O fato é que existe uma dificuldade, ou até mesmo uma impossibilidade de boa parte da Igreja enfrentar determinadas "teologias" vindas do pragmatismo, vestidas de publicidade e marketing, liderada pelo homem corrupto intitulado "deus" e aproveitada pelo "deus deste século". Acreditava eu no início dos anos 2000 que a famigerada teologia da prosperidade seria extinta, mas vejo que apenas se moldou à época mercantilista e "gospelizada" em que vivemos atualmente, as vezes renomeada de "teologia coaching", pós-pentecostalismo, igreja soberana, ministério de dança ou artes, igreja social, ou qualquer outra loucura humana. Engana-se quem achou que os remanescentes da antiga comunidade "Adoradores Extravagantes" do extinto Orkut seriam os únicos cristãos entorpecidos de hoje. Quando lemos na Bíblia que Deus é amor, faz-se necessário compreender que amor é esse, já que em português "amor" pode significar muita coisa, inclusive idolatria. Não sei em que estavam pensando os autores da imagem que ilustra este post, mas quero deixar claro aqui que sim, no final todos morreremos, muitos para Cristo de uma forma decisiva em virtude do pecado adâmico, e alguns para o mundo, desde o livramento e eleição por Cristo Jesus. Então, vamos tentar entender o seguinte:

QUANDO A "IGREJA" TEM MEDO DO SEU PASTOR?

Imagem: Google.
Com certeza os tempos em que nós estamos vivendo têm sido, de certos ângulos, esquisitos. Olhando a partir da história da Igreja, há muito o que motiva o franzir da testa e o levantar de uma das sobrancelhas. Das práticas mais fascinantes que sinto falta nos dias atuais é a análise investigativa das Escrituras e o bate-papo bíblico-teológico sadio, inteligente e edificante entre os pastores e suas ovelhas, quebrando tabus, mas não o respeito, dissolvendo prisões racionais, emocionais e intelectuais, mas não a reverência tanto ao próprio pastor quanto à Deus. Do contrário o que se vê é a onda coaching, nada mais do que uma nova roupagem para a mensagem de autoajuda, positivista (só vitória, nada de sofrimento) e antropocêntrica, uma pregação na maioria das vezes meramente sentimental ou simplesmente "Ctrl+C e Ctrl+V" de alguém em algum lugar, site, canal do YouTube, livro de autoajuda (essa palavrinha de novo), blog, podcast, rádio, TV, etc. Igrejas sem pastor oficial e muitos "pastores" sem nenhum chamado ministerial para tal, onde cada um prega qualquer coisa, preenche o tempo, a live e o boletim, diz o que é óbvio, mas não o que é verdade absoluta, na maioria, afirmam o que as pessoas querem ouvir, mas não que Deus quer dizer, que leem o Texto (quando leem), saem do Texto e nunca mais voltam para o Texto, que nunca frequentaram um sala de aula teológica, nunca leram Charles Hodge e afins, mas que são casados, pais, empresários ou aposentados, deixam várias ofertas e um dízimo bem gordo e por isso têm espaço para utilizar o púlpito como se fosse um Esdras, que leu, traduziu a explicou a Lei de forma que todos entendessem, ou como se fosse um Paulo, que passou fome, foi surrado, teve sua oração negada por Deus, mas não desistiu de cumprir o seu chamado. Diante do quadro em questão, enumero aqui 4 respostas que explicam porque a Igreja, muitas vezes, tem medo do seu pastor (ou daquele que poderia ser o seu pastor).

COMO SERÁ A IGREJA PÓS-PANDEMIA?

Imagem: Ciol
Eu tenho certeza que este momento em que vivemos em pleno 2020 ficará marcado na história de uma forma distinta. A geração atual está vivendo algo bastante específico, coisa de filme, uma experiência apenas lida nos livros de história, vista em fotos de jornais antigos e refletida de forma interessante. Imagine que a pior coisa disso tudo nem é o vírus em si que se espalha de forma rápida e contamina inúmeras pessoas pelo mundo (pelo menos até aqui), mas o estrago que ele causa na sociedade nos quatro cantos da terra, especialmente na economia. Imagine como estão as pessoas pobres que sempre viveram abraçadas à inanição, e que agora até os que sempre tiveram a dispensa abastecida correm o risco de não ter como reabastecê-las. Imagine que este problema pandêmico não se limita a uma ou a algumas nações, a um grupo específico ou uma raça em particular, tampouco à Igreja de Cristo. Indiscutivelmente, todos, sem exceção, participam da mesma dor e sofrimento, dadas as devidas proporções. Contudo, talvez alguém questione a respeito dos governantes e seus aliados, por exemplo, se, de fato, eles estão inseridos neste sofrimento, haja vista que quase todos parecem estar envolvidos cada vez mais na corrupção, aproveitando-se do estado emergencial para abastarem-se ainda mais de lucros indevidos. Para isso, penso que, embora pareçam imunes tanto ao vírus quanto às suas consequências, mais cedo ou mais tarde, tais governantes, políticos corruptos em geral e qualquer ser humano que seja malicioso a aproveitador do sofrimento alheio dará contas de suas atrocidades, e nem menciono o terrível Dia do Senhor, mas apenas a própria vida, que um dia acaba colhendo os males antes semeados. Eu fico a pensar como serão as pessoas depois de tudo isso, como serão as políticas das nações, se mudarão ou evoluirão alguma lei, se a ética mundial terá uma postura mais humana ou se as pessoas serão mais humanas. Particularmente acredito, com tristeza, que o ser humano terá uma reação imediata de compaixão, em termos gerais, mas que logo terá a sua natureza pecaminosa posta novamente a frente de tudo num curto espaço de tempo. No entanto, a grande pergunta que desejo compreender é: Como será a Igreja do Senhor pós-pandemia?

POR CAUSA DO NOVO CORONAVÍRUS, É POSSÍVEL CONGREGAR?

Imagem: R7.
É fato que muitas situações que vivemos em nossos dias um dia já aconteceu, de forma idêntica ou semelhante. O que muda é apenas o contexto. O movimento feminista, por exemplo, pode parecer novidade atualmente, contudo, há pelo menos dois séculos que a discussão sobre gêneros ocorre. A contestação quanto a opção sexual, da qual não se diz mais "sexo", e sim "gênero", decorre desde que se entende por humanidade. Se pensarmos acerca do homossexualismo (desculpe, OMS), a Bíblia relata com clareza o episódio de Sodoma e Gomorra, em que a probabilidade de atos sexuais explícitos e desordenados desde o surgimento do pecado é evidente. Inclusive, é por causa de Sodoma que mais tarde surge o termo "sodomia" para expor o sexo anal entre homens. Ora, se considerarmos que o homem, ao desobedecer a Deus, imputou em si mesmo uma natureza pecaminosa e, com isso, a tendência de sempre desejar o mal, entende-se que, dentre outros delitos, a prática homossexual existe desde então. O problema da violência, igualmente, tem origem na pós-Queda. A desobediência dos filhos para com os seus pais vem de longuíssima data. A corrupção política existe desde que se vê na história líderes e liderados, sejam entre nações, grupos familiares ou reuniões menores. O que ocorre, de fato, com as situações que vivemos em nossos dias é que a linha temporal das coisas acontece num espaço entre gerações, assim, para os mais jovens, principalmente, a impressão de que nunca vivemos isso ou aquilo é real. Se o Brasil voltasse a viver sob governo militar, os que nasceram no final dos anos 1980 iriam viver algo novo, por exemplo. Muitos nem sabem o que é "Ipkissia mascarose". Há alguns anos eu ouvia a maioria das pessoas comentar que nunca se viu tanta militância sobre ideologia de gênero. Semelhantemente, ouvia sobre a questão do ativismo feminista: "Por que as pessoas querem destruir valores familiares?", diziam.

POR QUE É TÃO DIFÍCIL PASTOREAR NOS DIAS DE HOJE?

Imagem: Google.
Para responder a esta pergunta é preciso partir da seguinte linha de raciocínio: estamos falando de pastorear biblicamente, e não como qualquer pessoa tente achar ou supor. Disto isto, acrescento que não se restringe aos dias de hoje a dificuldade de pastorear, tendo em vista tantos homens chamados por Deus para o ministério pastoral ao longo da história da Igreja sofrerem significativamente ao apascentar as ovelhas do Senhor. Vejamos, por exemplo, três grupos de expositores da Bíblia, dos quais você mesmo pode verificar nos livros de história, os pré-reformadores, os reformadores e os pós-reformadores. Que noção nós temos ao consultarmos a história a respeito do árduo trabalho daqueles homens tomados de sabedoria das Escrituras, tementes a Deus, confiantes em Cristo e movidos pelo Espírito. E se buscássemos os antigos profetas de Moisés até João Batista que, mesmo não tendo sido utilizado o termo "pastorear", foi exatamente isso que eles fizeram? E se pensássemos nos apóstolos e consequentemente em seus discípulos? E nos tantos pastores de tantas denominações, as bíblicas, ao longo dos anos? Seria muito relevante trazermos à memória as lutas desses valentes de Deus. Nos dias de hoje a tarefa pastoral é tão árdua quanto em qualquer momento da história da Igreja, dada as devidas proporções. Se você é chamado para o santo ministério pastoral, mesmo que você esteja exaustivamente sabido de como é penoso este ofício, na atuação dele é que vemos e sentimos na própria pele este caminho, ora plano, ora íngreme, mas sempre complicado. Há quem sustente a ideia de que a maior dificuldade é pelo fato de estarmos lidando com gente, porque onde tem gente, dizem a maioria, aí está a dificuldade em lidar. Mas eu acredito que esse é um conceito muito raso, uma explicação de um mero comerciante que trata seus clientes como objetos desejosos de consumir os seus produtos ou serviços, embora haja exceções. E se assim for, os pastores que usam dessa explicação para elevar suas posições de que ninguém faria como eles se estivessem em seus lugares, logicamente pensam na Igreja do Senhor como um comércio, onde os crentes são objetos desejosos de consumir os seus produtos ou serviços, e nada mais. Ser pastor atualmente tem sido conflituoso em muitas áreas. Ser pastor hoje é ser motivo de piada nos comentários das redes sociais dentro de qualquer assunto a ser discutido, é ser um "meme" ambulante, uma peça de escárnio, um alvo para todo tipo de violência. Claro, estou falando a partir do ambiente livre e espontâneo em que a legislação brasileira permite, afinal, aqui ainda é possível vestir uma camisa com o nome de Jesus em público, de acordo com a nossa lei, mas em tantos lugares no mundo isso é mortífero. Diante do exposto, quero enumerar aqui algumas respostas que explicam o porquê de ser tão difícil nos dias de hoje pastorear.

3 MOTIVOS PELOS QUAIS O CRISTO VERDADEIRO NÃO SE CURVA À VONTADE HUMANA

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Periodicamente tem-se repetido pela sociedade uma quantia abalizada de menosprezo pelo nome de Jesus Cristo. Tenho notado que ao longo da história há sempre grupos políticos, teológicos, acadêmicos, leigos, entre outros, que surgem num conclave de deboche, sempre de acordo com a sua época. Em tempos de redes sociais como os nossos parece que os golpes contra a autoridade de Jesus são mais fortes. Assim, vejo também que a maneira despudorada do mundo abraçado pela mídia esquerdista em ridicularizar o nome de Cristo tem uma certa semelhança com alguns que estão nas igrejas e se dizem cristãos. A forma como pregam, como cantam, como organizam reuniões, cultos, acampamentos, shows, a maneira artística como são feitas as apresentações insinuando serem dadas ao nome do Senhor, a intenção em pôr jovens se esfregando sensualmente nos cultos e atribuir isto ao Criador da família, o jeito como ensinam o que afirmam ser uma teologia bíblica, o desprezo minucioso da Lei de Deus, o modo como virtualizam nas publicações das redes sociais aquilo que deveria ser um ato de intimidade com o Pai em secreto regado pela Palavra de Deus, os trejeitos afeminados de membros que assumem papéis sacerdotais, a forma como roubam a Casa de Deus, não apenas o dinheiro dos fiéis, mas os tesouros do Tabernáculo que pertencem àquele que é o nosso Tabernáculo, Jesus, enfim, tudo quanto é estranho às Sagradas Escrituras não pode vir de outro lugar senão do coração enganoso do homem pecador, imundo e nefasto. Logo, concluo que tais aberrações vêm de fora da Bíblia, da Igreja e do Senhor, vem de dentro do mundo (no sentido de influência, não preconceito). Da mesma forma que a maioria dos crentes "obrigam" Deus a enfeitá-los e destaca-los como se fossem a parte mais importante da criação, a porção da sociedade sem Deus o coloca como mais um deus qualquer, sem ação, sem verdade, sem santidade, sem poder. Diante disso, exponho aqui 3 motivos pelos quais o Cristo verdadeiro não se curva jamais à vontade humana, no entanto, estarei me referindo não ao cristo posto pornograficamente pela mídia nos carnavais e nas portas dos fundos repleto de profanação, mas àquele que é soberano sobre tudo e todos.

8 PONTOS QUE DEVEM HAVER EM SEU MINISTÉRIO, OU ISSO NUNCA FOI UM MINISTÉRIO

Imagem: Facebook
Se você foi chamado por Deus para pastorear, parabéns, nasceu em você a pretensão de subir num púlpito, abrir a boca, o coração, o cérebro e o principal, a Bíblia, e sua vida passa agora a ser um risco constante, haja vista tornar-se uma influência em muitos aspectos na vida de pessoas não será nada fácil, portanto, é bom que algumas informações estejam bem claras, pois, humanamente falando, tudo começa na mente, na sua mente. Sim, é preciso entender daquilo que se deseja exercer, e uma coisa é certa: nada é alheio á doutrina bíblica. Mas se tudo, humanamente falando, começa na mente, se você tem problemas psíquicos, dislexia, déficit de atenção ou algo do tipo, esqueça, porque, provavelmente você não foi chamado por Deus, é apenas algo da sua cabeça, e acredite, sim, isso acontece. Você vai lidar com situações naturais diversas, das quais exitem uma infinidade de cenários possíveis em que a sua mente terá que estar numa perspectiva suficiente para aturar determinadas situações. Além disso, eu ainda não falei de situações sobrenaturais, onde muitas probabilidades também são reais. Uma história de vida interessante que te dê uma base sólida é de suma importância. Por exemplo, ter aprendido a viver na fartura ou na sequidão é algo imprescindível que você precisa ter. Não existe no campo pastoral espaço para uma mente frouxa, dependente de papai e mamãe. Haverão muitos quartos, ou um apenas, em que você terá o tempo necessário para se desmanchar em lágrimas sozinho e com Cristo, sem que ninguém precise saber, afinal, a palavra que sairá tua boca deverá ser a Palavra de Deus, que fala de Deus e do reino de Deus, não sobre você. Não haverá espaço na tua mente para caprichos, ainda que haja poucas exceções, mas que nunca (guarde essa palavra), nunca será regra para você, especialmente se o seu ministério for, verdadeiramente, um ministério dado por Deus (até porque se Deus não der nunca será um ministério). Antes de comer alguma coisa é necessário preparar. Se for uma fruta, por exemplo, é necessário pelo menos tira-la do pé. Antes de comer, portanto, alguns passos requerem algumas observações:

EM SUA MISSÃO, EM QUE A IGREJA TEM ERRADO?

Imagem: Facebook
Seria muito óbvio responder ao título desta publicação afirmando que o erro da Igreja tem sido não viver segundo as Escrituras. De fato é isso mesmo, mas, ser tão óbvio a esta maneira é ser igualmente cruel com aqueles que realmente estão vivendo cada entrelinha da Lei de Deus, muito embora sob a influência do Espírito Santo. Diante disso, cabe-nos uma pausa para refletir sobre alguns pontos dos quais nos ajudam a compreender em que a Igreja, de uma forma geral, tem errado. Vamos começar pelo melhor, a Bíblia Sagrada. Se considerarmos as palavras de Paulo a Timóteo, por exemplo, instigando-o a pregar a Palavra quer fosse oportuno ou não (II Tm 4.2) temos uma prova incontestável de que um dos maiores erros da Igreja tem sido a sua Hermenêutica, afinal, interpretar, culturalmente falando, seja lá o que for, é algo pessoal e intransferível, e até merece todo o respeito. Todavia, não estamos falando de Hermenêutica a partir do senso comum, o meio em que a pessoa que interpreta vive ou a ideia de que a Bíblia se compreende lendo uma ou duas vezes e começando a falar simplesmente o que achou. Ora, isso não passa de preguiça e achismo, e se estamos falando da palavra que não contém, mas é a Palavra de Deus, isso merece de nós toda reverência, dedicação e temor.

O DIA EM QUE ESQUECERAM DO MENINO QUE FAZ ANIVERSÁRIO

Imagem: Redbubble
Quem viveu sua infância ou adolescência na última década do século passado certamente não desconhece a obra cinematográfica lançada no dia 21 de dezembro de 1990 aqui no Brasil, Esqueceram de mim (Home Alone, nos EUA), dirigido por Chris Columbus e estrelado por Macaulay Culkin. Na trama, Culkin interpreta Kevin, uma criança de 8 anos querida pela família McCallister. Todos estão prontos para pegar o voo rumo a Paris em plena época de Natal no dia seguinte. Porém, em mais uma situação corriqueira de família, Kevin se irrita e vai dormir de cabeça quente, chegando a desejar não ter mais família. Até aqui tudo bem, pelo menos para um menino de 8 anos. Mas o que pode compreender sobre família uma criança de apenas 8 anos? O problema é que no dia seguinte todos se preparam para a tão sonhada viagem de férias e esquecem literalmente do caçula que foi posto de castigo no sótão. É só mais um filme tentando introduzir no mundo a cultura norte americana de um Natal divertido com muito amor, neve, presentes e a grande descoberta (como se ninguém já o soubesse) que a família, embora possua problemas, precisa caminhar unida, desde que haja uma garrafa de refrigerante de Cola bem no meio da mesa. E a propaganda enganosa alimenta com a sua ave sadia e suculenta os esfomeados pelo consumo e pelo Natal hipócrita. Um ano inteiro mal socializado com as pessoas mais próximas e justo numa data bastante comercial e recheada do molho branco da discórdia, as pessoas resolvem suar hipocrisia. Isso é deveras complicado, uma situação semelhante ao cheiro desagradável de um assado que passou do ponto.

SE VOCÊ NÃO ESTIVER ERRADO, NUNCA FARÁ SUCESSO

Imagem: Facebook
É com pesar que informo a todos que para fazer sucesso atualmente é necessário estar errado. Nos dias de hoje conseguir estar certo e fazer sucesso ao mesmo tempo é mais raro do que acertar as seis dezenas da Mega-Sena sozinho em três concursos seguidos depois de semanas acumulando. Viver uma vida prolífica aos pés de Cristo, em santidade, abraçado à Lei e praticando-a sabiamente no cotidiano é assinar o próprio atestado de exclusão denominacional. As organizações eclesiásticas que deveriam exercer o seu papel de "proteger e servir" estão adotando a função de "omitir e enriquecer". A cada dia que passa os anticristos avisados por João e os apóstatas avisados por Paulo estão cada vez mais próximos de serem descobertos em sua completude no meio da Igreja. Os que presidem estão confundindo os vossos nomes com os nomes daqueles corajosos homens das épocas patrística e escolástica. Os líderes estão evidenciando nomes de entidades, denominações, métodos, pastores, autores, mentirosos, enganadores, omissos, pervertidos, seminaristas fracos, mercenários, políticos, corruptos, apedeutas, meros homens cheios de pecados, escravos de cada um deles, sem nenhuma biblicidade e conversão, porém muita lábia maldita. O Nome que é sobre todo nome não é mais enaltecido por tais artistas errantes. Os ministérios estão cada vez menos bíblicos e mais fracassados. Os despenseiros não estão sendo encontrados fiéis. O prumo do Senhor está sendo negociado. As pessoas não estão sendo corrigidas em amor e dor pela Palavra, elas estão com dores nas regiões abdominais de tanto rirem. A cúpula agora se reúne para discutir como impedir aquele nobre pastor de continuar com o seu ministério consagrado a Deus. Estratégias estão sendo montadas para descobrir a melhor maneira do que fazer para atrapalhar a exposição da Bíblia com simplicidade, objetividade e fidelidade à própria Lei daquele fiel pastor que, embora sustentado humanamente pela Igreja, não negocia o Evangelho e desce a vara do Todo-Poderoso, corrigindo, santificando, exortando, abençoando o povo de Deus, afugentando os devoradores e glorificando o Criador de todas as coisas. Ao cederem os púlpitos para estes líderes uma falsa reação de alegria é exposta, mas por trás existe um medo terrível de que sejam desmascarados ali, a qualquer custo. Nunca mais a oportunidade é devolvida aos grandes homens de Deus. Nas reuniões preparatórias para exames conciliares são os examinadores previamente estabelecidos pelos mesmos líderes medrosos e problemáticos que se dedicam para derrubar os novos pretensos ao pastorado. Por outro lado, os fracos seminaristas que servem para completar o time dos covardes, porém espertos, fraudulentos e ávidos às cédulas, são meticulosamente postos ao tribunal corrupto dos concílios, fajutos para Deus, mas santos para a maioria das igrejas. A distância entre a membresia e os bastidores de uma cúpula eclesiástica é longa a ponto de esconder muita covardia e imundície. O que vemos claramente é a ideia de que se você não estiver errado, nunca fará sucesso.

PRIMEIRO EU QUERO SABER DA SUA VIDA, DEPOIS TE PERGUNTAR: "JÁ CASOU?"

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Não esta, nem a minha, mas a geração anterior possui arraigada a ideia de que todos precisam casar. Ainda percebo nos parentes mais antigos quando nos visitam, abrem as nossas portas e a primeira pergunta que nos fazem é: "Já casou?". Se a resposta for negativa a réplica é uma forte exclamação: "Meu Deus!". Embora isso possa causar risos, de alguma forma e por algum motivo que não sabemos, a coisa é séria. Os costumes antigos têm a sua importância, mas precisam ser encarados, muitas vezes, como um "dégradé", desses que os profissionais fazem da barba para o cabelo (ou vice-versa), algo que demarca o que é barba e o que é cabelo. Precisamos saber medir o que é correto, o que não é, o que era correto e o que não pode ser mais errado nos dias de hoje, mas em caráter social e contemporâneo, não Doutrinário (que fique bem claro). Quaisquer caractere que ouse ferir as Sagradas Escrituras deve ser totalmente repugnante e repugnado. O problema é que a tradição sofre mudanças de acordo com o passar da areia fina de uma ampulheta. Quando o corrupto Murdock afirma que os tempos mudam, John Rambo responde assim: "Algumas pessoas não", isso deve ser lembrado atualmente como a mais simples definição de ética. Hoje os memes reproduzem com bastante fidelidade, ainda que com humor, a situação desesperadora da maioria dos jovens, inclusive cristãos. Postagens imaturas nas redes sociais insinuando aflição, exasperação, desconsolação, irritação, carência, descompromisso, procrastinação, egocentrismo, etc., sejam textos, fotos, compartilhamentos de postagens dúbias, entre outras. Os jovens estão desesperados para mudar o relacionamento em seus perfis e isto tem atingido os pré-adolescentes. Pasmem! Ao ver a maioria dos casamentos que estão ao meu redor, sinto-me liberto, não do casamento em si, mas do mau casamento, o mau planejado, o mau feito, o enganoso, o infeliz, o maculado, o profano, com uma bela fachada, mas que nunca é reformada com o tempo (sem contar o interior), feito sem pensar, sem orar, sem analisar cada ponto, sem o sincero diálogo, sem a malícia ensinada por Cristo, repetida por Paulo e canonizada na Lei, sem a sabedoria de quem apenas se ilude por alguém com posses, boa lábia, aparente maturidade por ser mais velho ou pelo engodo de reger uma posição destacável, seja na sociedade e/ou na igreja, e, assim, "conquistar" as pessoas mais significativas para quem lhe interessa, causando situações emocionais perfeitas que funcionarão como trincheiras para aprisionar, escravizar e abater.

UMA IGREJA EMBEBECIDA PELO ENTRETENIMENTO É UMA IGREJA MORTA

Imagem: Amigo de Cristo
Há alguns dias foi publicado nas redes sociais um sermão de um pastor criticando veementemente os cristãos atuais como um dos grupos mais ignorantes biblicamente falando na história da Igreja. A questão aqui não é discutir a veracidade dessa declaração ou não, mas compreender que sim, esta geração de crentes tem sido um grande pecúlio de ignorância, idiotice e risos sem a mínima necessidade. Não está sendo pregado mais o Evangelho de Cristo que afronta o coração idólatra do homem neste mundo imerso na corrupção generalizada. Os pastores estão dando ênfase a eventos intitulados missionários e trazendo pregadores famosos e falaciosos, divulgados nas redes sociais como um show a parte naquela data que ninguém pode marcar nada, porque precisam estar no evento. Os pastores estão enfatizando um grupo de pessoas que tocam e cantam uniformizados com camisas chamativas e frases de efeito ou versículos isolados, que entoam músicas egoístas, antropocêntricas, animadas, muito bem arranjadas, emotivas e nem um pouco bíblicas, o que significa um grupo de pessoas vazias de Deus, rasas da Palavra e sem nenhuma intimidade espiritual. Pensemos no seguinte: qualquer assunto bíblico-teológico que você pensar neste exato momento (batismo, deidade de Cristo, doutrina cristã, pecado, casamento, sistema de governo eclesiástico, membresia, Ceia, dízimo, etc.) já foi exaustivamente discutido na história da Igreja por homens que realmente dedicavam as suas vidas ao conhecimento da graça de Deus. Uns ficaram com suas heresias, outros morreram em favor da Verdade Absoluta. Hoje, querem posar de teólogos, quando não são sequer biblicistas, mas não passam, na realidade, de animadores de palco, e com eles, levam a muitos, pela beleza física, pela educação e gentileza, pela lábia recheada de romantismos e piadas sem graça e sem necessidade, pelo engodo financeiro. Eventos que deveriam receber a devida importância na comunidade evangélica são estrategicamente escondidos até que outros eventos que nem deveriam existir no meio da Igreja, ou pelo menos nem tão cedo, tomem a indevida importância e ganhem pela má homilética a maioria, extinguindo aos poucos o Espírito de Deus.

LULA LIVRE, UMA IDOLATRIA CEGA E O DESTINO SOMBRIO DE "FEMINATOR"

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Eu senti uma tristeza profunda ao ver o ex-presidente Lula discursando em rede nacional após sair da prisão em Curitiba na última sexta-feira, fruto de um embuste de uma parte política do Brasil. Assistir a pessoas que tarjam-se a si mesmos cristãos ovacionarem um legítimo criminoso é de corroer o estômago. Lembro-me há alguns anos quando uma porção "evangélica" norte-americana publicou uma decisão relacionada aos homossexuais favorecendo-os ao Reino de Deus sem expor a Verdade e muitos "cristãos" brasileiros seguindo o modismo mundial, muitos sem nem saber do que se tratava, coloriu suas fotos de perfil no Facebook. Lembro-me quando discutíamos no Seminário acerca da Crítica da Forma de Bultmann e alguns seminaristas vociferavam armados desejando empurrar em todos ali a estúpida ideia de que a Bíblia é errante, falível e nem um pouco inspirada. Lembro-me da libertinagem dos teólogos liberais utilizando o quadro de vidro, as cadeiras em sala, as lecções e os livros publicados e editados por editoras clandestinas ao Evangelho inerrante, infalível e totalmente inspirado por Deus. Lembro-me que uns exigiam que nos corrigíssemos quanto a fala: "não se diz 'homossexualismo', mas 'homossexualidade'". Sim, eu me lembro quando percebi por mim mesmo a sutil mudança ao passar dos anos de que as pessoas não possuem sexo, e sim gênero. Que absurdo! Por que vemos mulheres, por exemplo, se declarando cristãs e feministas? Por que vemos líderes eclesiásticos fomentando suas eisegeses de que na Bíblia é perfeitamente dito e claro que o errado é certo e o certo é duvidoso? Por que muitos leem o Texto Sagrado na parte que o povo deseja infatigavelmente a soltura de Barrabás e querem repetir esta mesma parte, ao invés de copiar o reconhecimento do soldado romano mais tarde quando diz categoricamente "Sim, este era mesmo o filho de Deus!"? Isto aqui não se trata de uma defesa  ou aglutinação idólatra expressa a Bolsonaro ou quem quer que seja. O dever do povo de Deus é viver, pregar e manter a ética em todos os sentidos, munidos do conhecimento de Deus mediante a Sua cognoscibilidade, não macular o nome do Eterno, nem menosprezar o Filho de Deus limitando-o a histórico, tampouco extinguir o Espírito Santo.

CURTIDAS, COMPARTILHAMENTOS E A SUTIL VONTADE DE VER O OUTRO NU

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As redes sociais tem sido nos últimos anos um marco para a sociedade atual. Há muito o que comemorar pela tamanha evolução no agrupamento de culturas e pensamentos acerca de tudo que se pode imaginar, tudo isso por meio da internet, e com ela, as redes sociais. Contudo, como qualquer coisa nessa vida, as redes sociais trouxeram também um grande problema: a invasão de privacidade. Por outro lado, e não menos preocupante, a nítida facilidade em propagar informações que alimentam o oportunismo à invasão de privacidade está às portas. Ao longo dos últimos anos, mais precisamente desde a transição entre Orkut e Facebook, eu tenho percebido algo curioso, preocupante e assustador. É impressionante a disparidade entre curtidas, compartilhamentos e comentários de todo tipo quando comparados entre uma postagem de uma mulher seminua, por exemplo, e um texto científico. A vontade de ver o outro nu é algo insuperável dentro das mentes doentias da maioria das pessoas por trás dos smartphones e computadores. É surreal imaginar o interesse de homens babando para tocar nos stories daquela mulher comprometida apenas para vê-la com pouca roupa, ou numa posição atraente, ou até mesmo mandando beijinho, ou quem sabe para matar a saudade daquele velho amor, ou ainda para imaginar numa história fictícia com tal pessoa. Nunca se viu algumas mulheres demonstrando seus descontentamentos com seus esposos ou futuros esposos de forma indireta. Nunca se viu tantos jovens aproveitando a onda permissiva, socialista e liberalista para se declararem insatisfeitos com seu sexo (por que eu tenho que dizer "gênero"?). Doutra forma, nunca se viu homens curtindo fotos de mulheres famosas ou não, com poucas roupas ou se insinuando de forma sensual, às escondidas (mas nem tanto assim). Nunca se viu tantos moleques posando de homens maduros com suas amadas em postagens públicas e poéticas, mas por fora, esbanjando os seus dotes sexuais presos em seus quartos com os dispositivos conectados nos perfis daquelas que eles as possuem quase todas as noites em suas mentes e órgãos genitais, sejam elas casadas ou comprometidas. Nunca se falou tanto em "stalkear" alguém. E à procura de quê se faz esse tipo de coisa?

A REFORMA PROTESTANTE E O OPORTUNISMO DESCARADO

Imagem: Púlpito Cristão
Mais um ano de aniversário da Reforma Protestante acontece e o que vemos é uma explosão de publicações "reformadas". E por que destaco entre aspas? Pelo fato de que o oportunismo nos últimos anos tem sido nítido em muitas situações, denominações e programas gospel. Quando lemos no capítulo 11 da Confissão de Fé de Westminster que a justificação humana ocorre no processo em que a obra de Cristo, não a nossa, “imputa em nós a obediência e a satisfação de Cristo”, e por isso passamos a crer, percebemos que o instrumento para que nos tornemos justos diante de Deus é a fé, que não vem de nós, é um presente divino. O fato é que esta diretriz não foi criada em Westminster, nem em Wittenberg, tampouco no Brasil, a verdade é que desde os tempos do Antigo Testamento a ideia já estava lá. Os pilares da Reforma Protestante, movimento marcante não apenas do ponto de vista religioso, mas na história da humanidade em todos os seus aspectos, iniciado com Huss, Wycliffe (entre outros) e eclodida com Lutero em 31 de outubro de 1517, foram sintetizados em 5 colunas, mais conhecidas como as 5 solas. A grande questão é que, como qualquer ideia que faz sucesso e copula com o politicamente correto, a Reforma Protestante se tornou para alguns mais uma oportunidade descarada de divulgação denominacional, ministerial e pessoal, nada mais do que isso. Na maioria dos casos nem se sabe o que é, de fato, a Reforma. Mal se conhece quem foi Lutero. Imagine se questionarmos sobre Wycliffe, Huss e outros pré-reformadores de menor fama, mas de igual eficiência na história, a resposta certamente seria uma piada.

VOCÊ DEVERIA DEDICAR-SE À BÍBLIA COMO SE DEDICA A UM FILME

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Assistir a um filme requer a nossa percepção aos detalhes. Nem todos têm essa característica. São vários sinais de que a trama se desenrolará por uma certa linha de raciocínio. Não e tão difícil entender onde as coisas vão chegar, mesmo que o diretor seja excelente no que faz. Não podemos simplesmente perder tempo com a beleza física dos atores, isso é infantilidade. Há muito mais para refletirmos e retirarmos. O tom de voz dos diálogos, o sarcasmo, a inteligência, a violência, o romance, o estalar dos músculos defendo alguém indefeso, as cores, o clima predominante, etc. Grave bem isso: o áudio presente num filme é crucial para a total compreensão que os autores querem, de fato, passar. Assisti-lo em som original é sempre a melhor opção, as dublagens mascaram as expressões. O som do trânsito, das teclas de um dispositivo, do caminhar, de um motor falhando ou demonstrando poder de fogo, das hélices de um caça, das armas de um blackhawk, tudo é facilmente ocultado e a imersão ao que os produtores desejam passar infelizmente é afetada pela preguiça de quem não gosta de ler as legendas. Você pode dizer algo como "se eu assistir a um filme com legendas não vou entende-lo perfeitamente". Contudo, mesmo sem legendas é possível que você ainda não compreenda toda a trama, o que é normal, se considerarmos que estamos falando de um excelente enredo. Você deve assistir a um bom filme várias vezes para compreende-lo melhor. A cada vez que você rever ao filme, novos detalhes surgirão para somar na elucidação da história. Se o filme possui ação, o som das travas de um fuzil de precisão, das "cascas" dos projéteis sendo cuspidos pelas .50... Se o filme contém suspense, a trilha sonora parece ser mais fundamental ainda, os detalhes de uma parte de um bilhete, uma gravação de áudio e/ou vídeo, as cores da roupa, tatuagens, a personalidade do intérprete, o jeito de reagir às situações, etc.

POR QUE O EVANGÉLICO PÓS-MODERNO É TÃO BIPOLAR?

Imagem: Steve Cutts
Uma significativa parte do povo evangélico parece bipolar. Uma hora associa-se a campanhas contra temas abordados por alguns canais de TV, outra aplaude a exibição de um "artista gospel" participando de programas ou de séries típicas, vazias e comercialmente intituladas "bíblicas" nos mesmos canais de TV. Ainda hoje eu assisti um vídeo de um YouTuber que acompanho (que não é "gospel") onde ele faz a seguinte pergunta: "Vocês ainda assistem TV? Gente, 2019, acordem!" Faço aqui a mesma pergunta. No entanto, não podemos deixar de perceber que ainda hoje, infelizmente, existem famílias sem acesso à informação automática e que são obrigadas a se alimentarem do filtro condicionado de um certo jornal hoje e nacional ou algo do tipo (sem precisar mencionar novelas, realities shows, programas de entrevistas, de auditórios, etc.). Por outro lado, muitos que foram cevados pelo império da TV aberta, pelas quebras de paradigmas do colegiado de múltipla escolha sempre de segunda a sexta às 17:30h, por exemplo, pelas antigas correntes de PowerPoint por e-mail, pelos "textões" ilusórios de depoimentos do Orkut e por coisas semelhantes, e hoje têm acesso ao WhatsApp, apenas reproduzem a mesma balela: versículos da Bíblia no estilo "copia-cola" totalmente fora de contexto e sem nexo algum, textos intermináveis que quase sempre não são lidos e que, na verdade, não expressam nada de valor, notícias bombásticas desmentidas o tempo todo pelo E-Farsas e gifs intermináveis de "Bom dia!" na maioria das vezes falsamente, além de vídeos de teorias sobre achismos bíblicos.

O REINO DE DEUS E A TEOLOGIA CUSTOMIZADA

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Conheci esta palavra, "customização", nos vídeo-games. Lembro-me perfeitamente de jogos como Gran Turismo, onde era possível tirar carteira de motorista, evoluir, comprar carros, customiza-los. Lembro-me da Master Liga do Winning Eleven, onde começávamos um time numa liga de futebol europeu do zero. Da mesma forma mergulho na nostalgia de jogos como Tenchu, Medalha de Honra, entre outros. Seja qual for o jogo que você esteja a se divertir, é bem provável que o personagem seja customizável. Se for Tom Clancy's Ghost Recon Wildlands, por exemplo, ou Arma 3, é possível customizar camisa, calça, sapato, luvas, protetores de ouvidos, fuzil, arma de mão, carregadores, explosivos, colete, mochila, drone, etc. Para cada missão uma customização ou base específica. Silenciadores para missões indetectáveis ou bocas aperfeiçoadoras para missões de engajamento.

PASTORES, DINHEIRO E OS ARGUMENTOS BARATOS DE FÉ

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Ser pastor nunca foi fácil, nunca foi uma posição de normalidade perene, nunca foi apenas um detalhe qualquer, nunca foi simples como encontrar os pontos cardeais num mapa totalmente preenchido e com uma bússola do lado, nunca foi como encontrar o caminho certo com o GPS numa grande cidade hoje em dia, nunca foi um mar de rosas. Entretanto, pastorear sempre foi uma função determinada por Deus repleta de responsabilidades, mas também de honras. Imaginar que uma função tão nobre, embora difícil, passa por inúmeros problemas nem assusta tanto assim, afinal, a árdua função está muito bem exposta nas Escrituras.

É importante perceber a origem de uma caminhada pastoral, como ela começa. Desde a fundação do mundo quando Deus designa os seus escolhidos à vida eterna, alguns são chamados para assumir o santo ministério em um dado lugar na história e num local divinamente estabelecido. Para o pastor, sua consciência quanto ao seu chamado é um processo. Ele luta consigo mesmo o tempo todo se perguntando "será mesmo que eu fui chamado ao ministério pastoral?" Depois de muitas lutas, questionamentos, experiências e embates consigo mesmo, ele vai, então, ao Seminário Teológico, estuda, qualifica-se tecnicamente para apascentar com maestria, de forma acadêmica, espiritual e prática. Sua fé é sacudida durante as provocações teológicas na época de seminarista. Sua razão é estimulada em tempos de consumo de livros, palestras, descobertas e frustrações. Mas a sua vida diante do chamado divino permanece sólida na base da Lei do Senhor.

PROCON ECLESIÁSTICO

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Não é de admirar que a maioria das igrejas nos dias de hoje, tristemente, agoniza por trás de maquiagens corretoras de expressões. Exteriormente podem até serem vistas de forma bela, exalando um perfume alheio à graça de Cristo, uma voz meramente publicitária e marqueteira, contudo, sem a marca daquele que é a expressão exata do ser de Deus, isto é, Cristo. Se assim for, inegavelmente percebemos que não se trata da Igreja do Senhor, embora esteja em seu meio. Como se fora coisa de somenos, imagine a tortura cognitiva de um pregador piedoso em tentar decifrar se os cristãos estão acompanhando a mensagem pela Bíblia no smartphone ou passeando pelo Instagram. Em consequência, não se vê Homilética, muito menos Hermenêutica (Exegese nem se fala) na estupenda maioria dos sermões atuais. É possível estabelecer como será a mensagem em sua igreja no próximo culto? Será algo prolixo, raso, totalmente fora das Escrituras? Será mais um discurso pessoal de quem estará manejando o microfone, passando detalhes da sua profissão, paternidade, maternidade ou um conto de como foi que pregou certa feita para um grupo de acadêmicos, dos quais ficaram boquiabertos, segundo quem relata?

A mediocridade sermônica tem feito parte dos púlpitos da sua igreja regularmente, com meros assuntos de autoajuda, prosperidade, resolução de problemas e promessas, promessas, promessas? Tem se lido o Texto, mas ao mesmo tempo saído e nunca mais voltado para ele? Sinceramente estou cansado de ser submetido à torturas audíveis, visuais e experimentais de líderes fracos que se esforçam para mostrar o seu potencial em vez de expor as entrelinhas da Sã Doutrina, por isso, concordo plenamente com Jilton Moraes, quando diz:

"Se houvesse um Procon Eclesiástico, tais coisas poderiam ser classificados como propaganda enganosa." (MORAES, 2008, p. 30).

O Prolífico.